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Após autorização da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) para o início das operações do primeiro serviço de delivery por drone do Brasil, foram realizados nesta semana os primeiros testes da nova tecnologia em Campinas (SP), primeira cidade brasileira escolhida para receber o serviço. O Fantástico acompanhou a ação que reduziu o tempo de entrega de 12 para 2 minutos e contou com uma central de pousos e decolagens.

Para viabilizar a entrega, a plataforma de pedidos de alimentação Ifood criou um "droneporte" - um espaço separado para os pousos e decolagens dos drones. De lá, o equipamento, todo projetado no Brasil e com 90% das peças importadas, saiu para buscar a encomenda em um restaurante de um shopping da cidade, após um pedido feito pelo celular.

Empresa testa em Campinas pela primeira vez delivery de alimentos com drone — Foto: Reprodução / EPTV

Empresa testa em Campinas pela primeira vez delivery de alimentos com drone — Foto: Reprodução / EPTV

De 12 minutos para dois

O equipamento pesa 10 kg e pode transportar uma carga de até 2 kg. Por isso, antes da decolagem, foi necessária uma pesagem, que será um dos itens obrigatórios quando o serviço estiver disponível ao público. Depois, o drone decolou para um ponto de distribuição e entregou o pacote para um dos motoboys da empresa, que levou o pedido a um condomínio.

"Nunca imaginei que isso fosse acontecer tão logo. Só no futuro, mas agora, de jeito nenhum, é muito legal", disse a nutricionista Juliana de Lima, que recebeu a encomenda. A previsão da empresa é fazer uma nova etapa de testes, com uma nova rota para um novo ponto de distribuição, em outubro. O uso do motoboy não será dispensado porquê ainda não há autorização de entrega diretamente no condomínio.

De acordo com o vice-presidente de logística do Ifood, Roberto Gandolfo, a principal vantagem do delivery por drone vai ser diminuir o tempo em relação a entrega tradicional. "Neste teste, um trajeto que a gente faria em 12 minutos, nós fizemos em dois. É uma redução muito grande", explicou.

Equipamento utilizado no primeiro teste de delivery de comida com drone do Brasil — Foto: Reprodução / Fantástico

Equipamento utilizado no primeiro teste de delivery de comida com drone do Brasil — Foto: Reprodução / Fantástico

Como funciona a tecnologia?

A aeronave projetada pela Speedbird tem 1,5 metro de altura e 1,20 de largura, seis motores, dois aparelhos de GPS, funciona com tecnologia 4G e tem até paraquedas para situações de emergência. Ela é capaz de transportar em velocidade de 32 km/h, e a caixa de transporte possui monitoramento da temperatura.

"Na eventualidade da necessidade de usar o paraquedas, o próprio computador interno do drone pode ejetar essa paraquedas, vai cortar os motores, eles param de rodar , o paraquedas é ejetado com um explosivo interno, então assim em menos de um segundo ele abre", disse o operador do drone responsável pelo teste em Campinas.

O drone tem autonomia de voo de 30 minutos, em um raio máximo de 5 km. Além disso, a chuva pode gerar impactos, assim como ventos acima de 50 km/h. O software para navegação e operação da aeronave também foi desenvolvido pela Speedbird e realiza todo o voo de forma automatizada. Por uma questão de legislação, no entanto, é acompanhado do operador, que pode intervir caso necessário durante os trabalhos.

A plataforma de pedidos conta inicialmente com três profissionais nas áreas de inovação e logística, enquanto a companhia parceira terá mais quatro responsáveis pelas operações das aeronaves.

A autorização concedida pela Anac foi a primeira deste tipo emitida pela agência. Em caráter experimental e inédito, ela permite testes além da linha de visão visual, quando o operador não precisa ter contato visual para operar o drone. (Portal G1 Campinas)

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